quarta-feira, 23 de maio de 2012

Osteopatia ou pilates no tratamento da hérnia de disco???

Você tem dois pacientes com uma dor na coluna lombar decorrente de hérnia de disco. Um começa a fazer pilates e o outro osteopatia. Ambos relatam que, com o tratamento, a dor sumiu. Será que ambas as formas de tratamento são indicadas para hérnia de disco???
São sim, mas em períodos distintos do tratamento, para ter uma eficácia máxima. Uma hérnia discal lombar gera dor, encurtamento e redução da atividade estabilizadora dos músculos estabilizadores vertebrais e fraqueza da musculatura de contração rápida.
A osteopatia corrige a origem do problema e o pilates irá favorecer o alongamento da musculatura estabilizadora vertebral, favorecendo seu fortalecimento também, bem como irá promover um fortalecimento muscular global.
Se apenas a osteopatia for feita, a musculatura que estabiliza a coluna lombar pode não ficar tão forte para resolver completamente a instabilidade vertebral, gerando dor lombar. Se apenas o pilates for feito, a causa real do problema pode não estar sendo tratada e a dor pode reaparecer.
Assim, o ideal é que o paciente comece a fazer osteopatia e, com a melhora da biomecânia corporal, associe o pilates ao seu tratamento. Isso é o que geralmente deve ser feito, mas é bom lembrar que cada paciente é um mundo e deve ser bem avaliado pelo fisioterapeuta. Há pacientes que só precisam do pilates para melhorar. Há pacientes que melhoram apenas com a osteopatia. Por isso, avalie bem seu paciente, veja se ele têm áreas de hipomobilidade articular, visceral ou craniana, veja se a hipermobilidade vertebral não é compensatória. Em casos de pessoas hipermóveis, o pilates geralmente é suficiente. Para pessoas com aumento de mobilidade lombar para compensar a perda da mobilidade em outra área corporal, a osteopatia está indicada na fase inicial do tratamento, antes mesmo do pilates. Uma boa avaliação é sinônimo de grandes chances de um tratamento de sucesso! Lembrem-se sempre disso!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Quando devo usar a manipulação articular (thrust) em meus pacientes???

         Todas as técnicas osteopáticas são boas, desde que sejam aplicadas na ocasião certa. Não adianta manipular um ilíaco posterior se o que está provocando esta rotação é uma disfunção visceral. Ele voltará a ficar posterior. Agora, se você tratar o problema visceral que está provocando esta rotação e mesmo assim ele continuar posterior, a manipulação será eficaz.
          A manipulação articular é bem eficaz em casos de trauma agudo, como, por exemplo, a pessoa sofre uma queda e fica com a coluna doendo, e quando, em casos crônicos, o tratamento da causa do problema foi feito mais a lesão articular, que estava sendo provocada pela região tratada, persiste. Se uma paciente chega ao seu consultório com uma lombalgia crônica sem história de trauma prévio, com história de gastrite, vesícula preguiçosa e vertigem, provavelmente você tratando as vísceras e o crânio desta paciente irá conseguir acabar ou reduzir significantemente esta lombalgia. Agora, se esta mesma paciente chegar ao seu consultório com uma lombalgia aguda e um trauma recente, como uma queda, avalie e manipule (se não houver contra-indicação do thrust) a vértebra lombar lesionada que está paciente irá melhorar desta lombalgia. Trate da coluna mas não esqueça de tratar o restante dos problemas desta paciente também!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

CADEIAS LESIONAIS

Quando ouvimos falar em osteopatia, lembramos logo da manipulação da coluna vertebral. Mas a manipulação é apenas uma das inúmeras tecnicas de que a osteopatia dispõe. O osteopata busca sempre tratar a origem dos problemas. Vejamos alguns exemplos:

Uma pessoa tem dor na coluna lombar há 1 semana. Tem história de entorse de tornozelo em inversão há 2 anos. No ano passado soreu uma queda batendo a cabeça no chão. Tem história de constipação, vesícula preguiçosa e gastrite. Chega ao consultorio e relata tudo isso ao osteopata. Diante disse, o osteopata pode elaborar algumas possíveis cadeias lesionais:

1) O entorse de tornozelo pode ter gerado uma lesão da fíbula, que desceu durante o entorse e se fixou. Isto tracionou o bíceps femoral, gerando uma rotação posterior de ilíaco, o que pode gerar tensão do músculo quadrado lombar e lombalgia. Mas só 2 anos depois???? Sim, estas alterações não ocorrem do dia para a noite. O corpo busca se adaptar ao novo estado corporal pós-lesional. No entanto, se a lesão primária não for corrigida, algum tempo depois (que pode ser anos) provavelmente haverá a geração de dor e/ou disfunção em uma outra região.

2)  O entorse de tornozelo pode ter gerado uma lesão da fíbula, que desceu durante o entorse e se fixou. Isto tracionou o bíceps femoral, gerando uma rotação posterior de ilíaco, gerando uma lesão sacro-ilíaca. Para compensar esta redução de mobilidade sacro-ilíaca, a coluna lombar torna-se hipermóvel, gerando dor.

3) Quando o paciente sofreu a queda e bateu a cabeça no chão, houve um bloqueio no movimento normal dos ossos cranianos que sofreram a pancada. Esta lesão osteopática craniana pode ter gerado uma elevação da tensão da dura-máter, a qual pode ser responsável pela lombagia.

4) A constipação pode ser decorente de uma tensão e perda de mobilidade do intestino delgado e no grosso. O intestino delgado se liga ao estômago, o qual, pelo omento menor, se conecta ao fígado, que se conecta ao diafragma. Um aumento da tensão nesta cadeia pode gerar uma tensão diafragmática, alterando a relação tensão x comprimento muscular diafragmático. O diafragma se insere na coluna lombar. Esta lombalgia pode ser decorrente de uma tensão nas fibras posteriores diafragmáticas.

5) A vesícula do paciente pode estar sendo comprimida pelo fígado, que pode estar em ptose. Esta ptose gera tensão no difragma, já que ele se conecta ao fígado. Esta tensão pode gerar dor nas fibras posteriores diafragmáticas, pelo mecanismo descrito acima.

6) A gastrite indica que o estômago não está em seu funcionamento normal, uma vez que esta sendo agredido. Ele pode gerar uma tensão miofascial que traciona o fígado, gerando dor lombar pelo mecanismo descrito no exmplo 4.

Diante destas e de outras possibilidades, como o osteopata deve proceder?

Avaliando o tornozelo e pé, os ossos do crânio e as visceras do paciente, poendo avaliar, também, outras regiões do corpo que julgue necessário.

Em muitos casos, a dor em uma região não indica que o problema primário é naquela região. Desta forma, o osteopata faz uma avaliação global do paciente e, muitas vezes, consegue restarar a função normal e acabar com a dor de uma região tratando outras regiões, que são a origem do problema.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O que é Osteopatia?

Osteopatia é um sistema autônomo de cuidados de saúde primário, que se baseia no diagnóstico diferencial, bem como no tratamento de várias patologias, e prevenção da saúde, sem o recurso de fármacos ou cirurgia. A Osteopatia enfatiza a sua ação centrada no paciente, ao invés do sistema convencional centrado na doença. A profissão de Osteopata é uma profissão de saúde distinta, com uma formação acadêmica superior e treino clínico especificos. A Osteopatia utiliza várias técnicas terapêuticas manuais entre elas a da manipulação do sistema musculo-esquelético (ossos, músculos e, articulações) para ajudar no tratamento de doenças.



Existem 4 grandes princípios:
1- A estrutura (ossos, músculos, órgãos, etc.) está reciprocamente inter-relacionada com a função (funções dos vários sistemas do corpo humano). O sistema neuro-músculo-esquelético é regulador de todos os outros sistemas. Disfunções dos componentes somáticos podem não ser só uma manifestação de doença, mas um fator que contribui para a própria doença.
2- O organismo tem a capacidade de se auto-regular e curar, uma vez eliminados os obstáculos que promovem a doença.
3- O sangue transporta todos os nutrientes necessários ao funcionamento saudável dos tecidos. Uma boa circulação vascular é essencial para o bom funcionamento do organismo.
4- O corpo é uma unidade em movimento. O fluxo nervoso, vascular, linfático, nervoso é crucial para a manutenção da saúde.
Esta Terapêutica usa o aparelho músculo-esquelético para “manipular” os vários tecidos (ósseo, conjuntivo, neural, etc.) com o objectivo de criar integridade, liberdade e coordenação de movimento, aumentando o fluxo sanguíneo, a drenagem de toxinas e o reequilíbrio de regulação dos tecidos via sistema nervoso. O Osteopata possui conhecimentos profundos em várias áreas das ciências médicas, para poder fazer um diagnóstico diferencial e proteger o paciente no caso de patologia conta-indicada.
Além da abordagem do sistema músculo-esquelético, a osteopatia também trata as vísceras e os ossos do crânio de seus pacientes. Uma vez que um mal posicionamento visceral pode provocar um aumento da tensão dos tecidos miofasciais, uma ptose hepática, por exemplo, pode gerar uma dor no ombro direito.
Embora muita gente pense que não haja movimento dos ossos do crânio, eles existem sim e um bloqueio em um movimento de um deles pode gerar dor de cabeça, problemas na articulação têmporo mandibular e dores na coluna lombar, por exemplo.
Da consulta deve-se esperar que o Osteopata faça uma história clínica cuidada e um exame clínico exaustivo.
É uma terapêutica puramente manual, não é invasiva (não há cirurgia), nem prescrição de fármacos. No entanto, conselhos sobre exercícios, nutrição e postura são normalmente abordados com o paciente.